Por Pedro Sonda, dooop

Na transformação com IA, o CEO tem cinco papéis que não pode delegar: definir onde a IA importa para a estratégia (e onde não importa), alocar recursos e tempo de forma coerente com esse discurso, arbitrar conflitos entre áreas e decidir o que parar, dar o exemplo no uso de IA e explicar às pessoas o que muda e o que não muda para elas. A execução pode ficar com um responsável pela agenda, com TI e com as áreas de negócio. Mas, sem esses cinco papéis, a transformação tende a virar uma coleção de projetos sem direção.

Atualizado em outubro de 2026.

Por que o CEO faz diferença

DadoFonte
Empresas de alto desempenho em IA têm duas vezes mais probabilidade de relatar líderes seniores comprometidos com as iniciativas de IAMcKinsey, 2026
Usuários intensivos de IA têm 61% mais probabilidade de ter ouvido o CEO falar sobre a importância de usar IAMicrosoft e LinkedIn, 2024
Só 44% dos CIOs são considerados "AI-savvy" (versados em IA) por seus CEOsGartner, 2025
64% dos CEOs reconhecem que o medo de ficar para trás leva a investir em tecnologia antes de entender o valor; 50% dizem que investimentos rápidos criaram tecnologia desconectadaIBM, 2025
42% dos CEOs citam como principal preocupação se estão se transformando rápido o bastante para acompanhar a IAPwC, 2026

Interpretação: o compromisso visível do CEO acompanha os melhores resultados, e a pressa sem direção gera investimentos desconectados. O papel do CEO é equilibrar urgência e critério.

Framework dooop: os 5 papéis indelegáveis

PapelO que o CEO fazSinal de que está faltando
1. DireçãoDefine dois ou três problemas de negócio em que a IA deve ajudar, e o que fica foraCada área escolhe suas próprias prioridades
2. AlocaçãoGarante orçamento, tempo de gestores e pessoas dedicadas coerentes com o discursoIA é "prioridade" sem orçamento nem tempo
3. ArbitragemResolve conflitos entre áreas e decide o que pararIniciativas duplicadas; nada é encerrado
4. ExemploUsa IA, mostra como usa e fala abertamente de limites e errosDiscurso de IA sem uso visível pela liderança
5. NarrativaExplica o que muda e o que não muda para as pessoas, incluindo empregos e papéisRumores, medo e uso escondido

O papel mais esquecido: arbitragem

Transformações com IA cruzam áreas: um processo comercial redesenhado afeta operações, finanças e atendimento. Quando surgem conflitos de prioridade ou de responsabilidade, só o CEO (ou quem ele explicitamente delegar) consegue decidir. Para o alinhamento entre as lideranças, veja Como alinhar CEO, CIO, CTO e áreas de negócio em IA.

A narrativa precisa ser honesta

Prometer que "ninguém será afetado" ou deixar o tema no silêncio costuma gerar desconfiança. Uma narrativa útil diz o que a empresa pretende fazer com o tempo liberado, como vai preparar as pessoas e que decisões ainda estão em aberto.

O que o CEO delega

DelegaPara quem
Condução da agenda e do portfólioResponsável pela agenda de IA
Escolha e operação de ferramentasTI e dados
Redesenho dos processosGestores das áreas, com apoio
Regras e controlesGovernança, jurídico e riscos

Delegar a execução não é o mesmo que delegar o patrocínio; veja Como construir patrocínio executivo para uma agenda de IA.

O que fazer agora

  • Escreva em uma frase onde a IA importa para a estratégia nos próximos 12 meses.
  • Confira a coerência entre essa frase e o orçamento e o tempo alocados.
  • Comunique à empresa o que muda, o que não muda e o que ainda está em aberto.

Para apoiar CEOs na condução da transformação com IA, conheça Lideranças com foco em IA da dooop.

Perguntas frequentes

O CEO deve nomear um Chief AI Officer? Não necessariamente com esse título. O essencial é um responsável com mandato, tempo e acesso à diretoria. Em empresas médias, essa pessoa costuma acumular outras funções.

Quanto do tempo do CEO a IA deve ocupar? Não há regra, mas a IA deve aparecer com frequência definida na pauta da diretoria e nas conversas com as equipes. Ausência prolongada é lida como baixa prioridade.

E se o CEO não tiver afinidade com tecnologia? Os cinco papéis não exigem conhecimento técnico. Exigem direção, coerência e comunicação, competências que o CEO já exerce em outras mudanças.

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Sobre a dooop

A dooop é uma consultoria de Caxias do Sul (RS) que prepara lideranças e organizações para transformar inteligência artificial em capacidade de negócio, com estratégia, governança e capacitação.

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