Por Pedro Sonda, dooop

Executivos podem usar IA para melhorar decisões de cinco formas: preparar reuniões e conversas importantes, sintetizar relatórios e documentos longos, explorar cenários e alternativas, testar os próprios argumentos e monitorar sinais do mercado, de concorrentes e da regulação. Três regras mantêm o uso seguro: conferir os números na fonte, não expor informação confidencial em ferramentas não aprovadas e manter a decisão com quem responde por ela. A IA melhora a preparação; a decisão continua sendo do executivo.

Atualizado em outubro de 2026.

Por que a preparação é o ponto fraco das decisões

A Microsoft registrou que 80% dos trabalhadores dizem não ter tempo ou energia suficientes para fazer o próprio trabalho (Microsoft Work Trend Index, 2025). Para executivos, isso costuma significar decisões tomadas com pouca preparação: relatórios lidos pela metade, alternativas pouco exploradas, riscos discutidos às pressas. Na pesquisa da McKinsey, 50% dos respondentes dizem que a IA os ajuda a tomar decisões melhores (McKinsey, 2026).

Interpretação: a IA tem mais a contribuir na preparação da decisão, reunindo informação e alternativas, do que na decisão em si, que continua com o executivo.

Framework dooop: os 5 usos executivos

#UsoO que pedir à IAExemplo genérico
1Preparar reuniõesResumo do histórico, pontos em aberto, perguntas prováveisAntes de uma reunião com um cliente estratégico, consolidar e-mails, atas e indicadores recentes
2Sintetizar informaçãoResumo de documentos longos com os números e as fontesResumir um relatório setorial de 80 páginas em uma página, com as três conclusões principais
3Explorar cenáriosAlternativas, premissas e consequências de cada umaListar cenários para a expansão em uma nova região e o que precisaria ser verdade em cada um
4Testar argumentosO melhor argumento contrário; um pré-mortem"Imagine que esta decisão fracassou em 18 meses. Quais são as causas mais prováveis?"
5Monitorar sinaisAcompanhamento de notícias, concorrentes e regulaçãoResumo semanal de mudanças regulatórias que afetam o setor

Uso 4 em detalhe: o melhor uso, e o menos praticado

Equipes tendem a concordar com o líder. A IA não tem esse constrangimento. Pedir o melhor argumento contra a decisão preferida, ou um pré-mortem, ajuda a enxergar riscos que a sala não levantaria. O valor está em ampliar o debate, não em transferir a decisão.

As 3 regras

Regra 1: confira os números na fonte

A IA pode errar com aparência de acerto. Em um experimento com 758 consultores do BCG, quem usou IA em uma tarefa fora do que a IA fazia bem teve 19 pontos percentuais a menos de chance de chegar à resposta correta (Dell'Acqua et al., 2023). Todo número que vai sustentar uma decisão deve ser conferido no documento original.

Regra 2: proteja informação confidencial

Planos estratégicos, dados de clientes e informações de mercado não devem ser inseridos em ferramentas sem contrato corporativo e configurações de privacidade adequadas. A política de IA da empresa deve dizer quais ferramentas podem receber que tipo de informação.

Regra 3: a decisão fica com quem responde

Um estudo da Microsoft Research com 319 profissionais do conhecimento encontrou que maior confiança na IA esteve associada a menos pensamento crítico (Lee et al., 2025). Para executivos, isso significa usar a IA para ampliar a análise e manter o julgamento ativo. Veja IA não substitui julgamento: o que isso significa para líderes.

Do uso individual ao sistema de decisão

Os cinco usos começam individuais. Com o tempo, podem virar práticas da diretoria:

  • Briefings padronizados antes de reuniões de conselho, preparados com IA e revisados pela equipe.
  • Pré-mortem obrigatório em decisões acima de determinado valor.
  • Monitoramento compartilhado de sinais externos, discutido em rituais mensais.

Para a dimensão organizacional do apoio à decisão, veja Como usar IA para análise e apoio à decisão.

O que fazer agora

  • Escolha uma decisão relevante deste mês e use os usos 3 e 4 antes de decidir.
  • Defina, com a área de TI, quais ferramentas podem receber informação confidencial.
  • Experimente por quatro semanas e avalie se a preparação melhorou.

Para preparar lideranças para usar IA com critério, conheça o programa da dooop em dooop.com.br/liderancas-com-foco-em-ia.

Perguntas frequentes

Executivos precisam aprender a escrever prompts? Precisam aprender a formular bem o problema: objetivo, contexto, restrições e critério de qualidade. Isso vale mais que truques de formulação.

A IA pode substituir consultores e assessores? Pode acelerar parte do trabalho de preparação, mas não substitui conhecimento do contexto, relacionamento e responsabilidade pela recomendação.

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Sobre a dooop

A dooop é uma consultoria de Caxias do Sul (RS) que prepara lideranças e organizações para transformar inteligência artificial em capacidade de negócio, com estratégia, governança e capacitação.

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