Por Pedro Sonda, dooop

O futuro da inteligência artificial nas empresas está menos na tecnologia, que tende a ficar disponível para todos, e mais na capacidade de cada organização de redesenhar o trabalho em torno dela. Três passagens marcam esse futuro: do uso individual para processos redesenhados, do assistente que responde para o agente que executa e da experimentação solta para uma capacidade governada. As empresas que fizerem essas passagens tendem a concentrar os resultados; as demais continuarão usando IA sem colher o valor correspondente.

Atualizado em outubro de 2026.

O que os dados mostram hoje

DadoFonte
88% das organizações usam IA em ao menos uma função, mas só 37% atribuem a ela impacto positivo no resultado operacionalMcKinsey, 2026
Apenas 6% das organizações são de alto desempenho em IA; quase três quartos delas redesenharam fundamentalmente fluxos de trabalhoMcKinsey, 2026
40% dos respondentes de grandes organizações relatam escalar agentes de IA, contra 27% no ano anterior; em organizações menores, 22%McKinsey, 2026
Na indústria brasileira com 100 ou mais funcionários, o uso de IA passou de 16,9% (2022) para 41,9% (2024)IBGE, 2025

Fato: a adoção é ampla e crescente. Interpretação: o resultado está concentrado em poucas empresas, e o que as separa não é ter acesso à IA, mas o que fizeram com o próprio trabalho.

Framework dooop: as 3 passagens

Passagem 1: do uso individual para processos redesenhados

Hoje, a maior parte do uso de IA é individual: cada pessoa usa um assistente para escrever, resumir ou pesquisar. Isso gera ganhos pessoais, mas raramente muda o resultado da empresa. A McKinsey registrou que 80% dos respondentes dizem que a IA melhorou sua produtividade individual (McKinsey, 2026), enquanto bem menos atribuem impacto ao resultado operacional.

O valor organizacional aparece quando o processo muda: quem faz o quê, em que ordem, com que dados e com que controle. O BCG observou que as empresas que mais geram valor com IA dedicam cerca de 70% do esforço a pessoas e processos (BCG, 2024).

Passagem 2: do assistente que responde para o agente que executa

Assistentes respondem a pedidos. Agentes recebem um objetivo e executam etapas: consultam sistemas, preenchem formulários, acionam outras ferramentas. O Gartner prevê que, até 2028, 15% das decisões do dia a dia no trabalho serão tomadas de forma autônoma por IA agêntica, contra praticamente zero em 2024 (Gartner, 2025).

A mesma previsão traz um alerta: mais de 40% dos projetos de IA agêntica devem ser cancelados até o fim de 2027, por custos crescentes, valor pouco claro ou controles de risco inadequados. Agentes ampliam o que a IA pode fazer e, na mesma medida, o que pode dar errado.

Passagem 3: da experimentação solta para uma capacidade governada

Experimentar é necessário, mas experimentação sem critério gera dezenas de pilotos que não escalam. A capacidade organizacional exige três coisas: critérios para escolher onde aplicar IA, regras proporcionais ao risco e pessoas preparadas para trabalhar com ela. Entre os fatores que distinguem as empresas de alto desempenho, a McKinsey destaca o compromisso visível da liderança com as iniciativas de IA (McKinsey, 2026).

O que provavelmente não muda

  • Decisões continuam tendo donos. A IA pode recomendar e executar, mas a responsabilidade pelo resultado continua sendo de pessoas.
  • Contexto continua sendo vantagem. Modelos tendem a ficar parecidos entre empresas; conhecimento do próprio negócio, dados e processos, não.
  • Mudança organizacional continua sendo a parte difícil. A tecnologia avança mais rápido que a capacidade das organizações de absorvê-la.

O que isso significa para a liderança

PerguntaPor que importa agora
Onde a IA muda nosso modelo de negócio, e não só nossa produtividade?Ganhos individuais não somam resultado sozinhos
Quais processos vamos redesenhar primeiro?Redesenho é o que separa alto desempenho
Que decisões aceitamos delegar a agentes, e com que controle?Agentes chegam antes das regras
Como as pessoas vão aprender a trabalhar com IA?Competência é o gargalo que mais cresce
Quem responde pela agenda de IA?Sem dono, a experimentação não vira capacidade

O que fazer agora

Para estruturar a agenda de IA da sua empresa com a dooop, veja dooop.com.br/consultoria.

Perguntas frequentes

A IA vai substituir empresas inteiras de serviços? Não há evidência para afirmar isso de forma geral. O que os dados mostram é concentração de resultado: algumas empresas capturam muito valor e a maioria captura pouco.

Empresas médias ficam para trás? Os dados da McKinsey indicam que grandes organizações avançaram mais rápido na escala de agentes. Para empresas médias, foco em poucos processos e capacitação tende a compensar a falta de escala.

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Sobre a dooop

A dooop é uma consultoria de Caxias do Sul (RS) que prepara lideranças e organizações para transformar inteligência artificial em capacidade de negócio, com estratégia, governança e capacitação.

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